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OPINIÃO| Crescer dói — e também liberta | Por Vívian D’Avila Campodonico, psicóloga
 

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Início de ano letivo: crianças e adolescentes preparam-se, junto a suas famílias, para darem conta de mais um período de rotinas, estudos, atividades extracurriculares e eventos escolares.


Ao observar do alto de meu prédio o primeiro dia de aula em uma escola das redondezas, percebo um grupo de alunos aproximando-se aos gritos da porta principal de entrada: “Hu, é terceirão!! Hu, é terceirão!” Gritam todos em alto e bom som, acordando a toda a vizinhança e agitando aquela manhã de Quarta-Feira de Cinzas. 


É impossível não se contagiar com toda aquela animação, mas, ao mesmo tempo, fico pensando na “barulheira” que deve estar se passando dentro da mente dessa gurizada. Sim, estar no terceiro ano do Ensino Médio é motivo de celebração, pois se está próximo à conclusão de uma etapa muito importante da vida escolar. 


No entanto, pouco ainda se fala sobre as tantas angústias e ansiedades que percorrem a cabeça dos adolescentes nesse momento em que precisam pensar na escolha profissional, em onde pretendem cursar a faculdade, se precisarão ir embora da cidade no ano seguinte, se irão servir às Forças Armadas, se poderão (ou precisarão) conciliar a escola com o trabalho ou com o cursinho, se conseguirão fazer carteira de habilitação... Enfim, são muitas as decisões (adultas) a serem tomadas e poucas são as garantias de sucesso. 


Tudo isso gera tensões permanentes no adolescente, levando-o muitas vezes a apresentar dificuldades de concentração, sinais de ansiedade significativos e, em alguns momentos, pode acarretar o consumo abusivo de álcool e outras drogas nesse período de vida.


A adolescência é uma fase de transição importante entre a infância e a vida adulta, iniciando-se no período que coincide com a puberdade e estendendo-se até os dezoito anos (quando, perante a lei, o indivíduo já é considerado adulto e totalmente responsável por seus atos). 


No entanto, em termos de desenvolvimento emocional, essa idade já não é mais tão precisa, tendo em vista as demandas acadêmicas da atualidade, com a conclusão formal dos estudos, a nível superior, ocorrendo em torno dos 24 a 25 anos, momento em que recém muitos entrarão no mercado de trabalho e iniciarão sua jornada profissional. 


Desse modo, está cada vez mais difícil determinar quando de fato “termina” a adolescência e quando é possível tornar-se adulto.


De qualquer forma, a conclusão da primeira etapa escolar e a entrada na universidade ainda parecem marcos importantes no amadurecimento emocional, pois exigem uma crescente autonomia e capacidade de tomada de decisões, sendo que, muitas vezes, é nesse momento que muitas famílias buscam acompanhamento psicológico aos seus filhos.


Esse espaço de escuta costuma ter uma função muito relevante aos adolescentes, pois é nessa etapa que o sujeito forma de fato sua identidade e personalidade, a partir das vivências infantis, mas também levando em conta outras referências e figuras importantes que vai buscando se relacionar ao longo da vida, para além do núcleo familiar: grupos de pares, professores, ídolos, pais de amigos, etc.


Pensando no grito que ouvi naquela manhã, na vibração daquelas vozes sedentas pelo crescimento, penso no paradoxo transmitido por aquele som e pelas vivências do último ano escolar: Sim, crescer dói, mas também liberta.  


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*A opinião expressa neste artigo é de inteira responsabilidade do autor e/ou assessoria de imprensa.⁣

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◾️Fonte: Vívian D’Avila Campodonico | Psicóloga | Especialista em Psicologia Clínica |

Psicoterapeuta de crianças, adolescentes e adultos.

⌨️ Editado por Dario Carvalho / Rádio Charrua

📸 Imagem: Vívian D’Avila Campodonico / Arquivo Pessoal





Opinião | 23/02/2026 | 17:40
 
 
 
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