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Segundo o cirurgião plástico Pedro Westphalen, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, esse é um fenômeno real e cada vez mais frequente na prática clínica
O aumento expressivo do uso das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil tem provocado um novo movimento dentro dos consultórios de cirurgia plástica. Cresceu de forma consistente a procura por procedimentos voltados à retirada de excesso de pele e ao refinamento do contorno corporal após perdas de peso significativas, assim como o aumento na procura por tecnologias de retração de pele para melhorar a flacidez, como o Ignite, por exemplo. E no Rio Grande do Sul não é diferente.
Segundo o cirurgião plástico Pedro Westphalen, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, esse é um fenômeno real e cada vez mais frequente na prática clínica. “Estamos recebendo pacientes que perderam 10, 15, 20 quilos em poucos meses. O emagrecimento é uma conquista importante, muitas vezes associada à melhora metabólica e da autoestima. Mas o corpo nem sempre acompanha essa transformação na mesma velocidade”, explica Pedro Westphalen.
A perda de peso acelerada pode resultar em flacidez cutânea, sobra de pele abdominal, queda das mamas, excesso de pele nos braços e coxas, além de áreas de gordura residual que não respondem mais ao emagrecimento. Nesses casos, a cirurgia plástica deixa de ser apenas estética e passa a ter papel funcional e emocional relevante. Dobras de pele podem causar assaduras recorrentes, dificuldade de higiene e desconforto ao vestir determinadas roupas. Mais do que isso, muitos pacientes relatam frustração ao perceber que, apesar da perda de peso, ainda não se reconhecem plenamente no espelho, explica o cirurgião.
Pedro Westphalen destaca que a cirurgia não substitui o processo de emagrecimento, ela complementa. “Existe um momento certo para procurar o cirurgião plástico. O ideal é que o paciente esteja com o peso estabilizado por pelo menos dois a três meses. Operar durante uma fase de emagrecimento ativo pode comprometer o resultado, porque o corpo ainda está em transformação".
Outro ponto fundamental é a avaliação nutricional. Emagrecimentos rápidos podem levar a deficiência de proteínas, ferro e vitaminas essenciais para a cicatrização adequada. Antes de qualquer procedimento, é indispensável uma análise laboratorial completa, ajuste alimentar e, quando necessário, suplementação orientada. A segurança cirúrgica começa muito antes da sala de operação.
Há também o aspecto metabólico e anestésico. Medicamentos utilizados para controle do apetite podem interferir no esvaziamento gástrico, exigindo planejamento conjunto entre cirurgião, anestesiologista e médico assistente. A individualização da conduta é regra. Cada organismo reage de maneira diferente, e a decisão deve ser baseada em avaliação clínica criteriosa, de acordo com o cirurgião.
Os procedimentos mais procurados
Entre os procedimentos mais procurados após grande perda de peso estão a abdominoplastia, mastopexia (com ou sem prótese), lifting de braços e coxas e lipoaspiração de refinamento. Em alguns casos, associações cirúrgicas podem ser indicadas, sempre respeitando limites de segurança e tempo cirúrgico adequado.
Mas nem tudo é físico. O componente emocional é profundo. “O paciente que emagrece muito passa por uma transição de identidade. Ele precisa de tempo para se adaptar à nova imagem corporal. A cirurgia deve ser encarada como etapa final de um processo de cuidado, não como solução imediata”, afirma Westphalen. Expectativas irreais, pressão social ou decisões impulsivas precisam ser discutidas abertamente durante a consulta.
A procura dos homens nos consultórios também aumentou
Para homens, a procura também aumentou, especialmente para correção de flacidez abdominal e tratamento de ginecomastia após emagrecimento expressivo. A perda de massa muscular, comum em emagrecimentos rápidos, exige atenção redobrada na preparação pré-operatória.
A principal orientação é clara, planejamento. O momento ideal para operar é quando o paciente atingiu estabilidade de peso, está com exames equilibrados, emocionalmente preparado e compreende que a cirurgia tem limites técnicos. A cirurgia plástica, quando bem indicada, pode devolver harmonia corporal, melhorar a autoestima e consolidar o resultado conquistado com disciplina.
“O emagrecimento é o começo de uma nova fase. A cirurgia plástica, quando realizada no tempo certo e com responsabilidade, pode ser o fechamento desse ciclo”, conclui o cirurgião. Para pacientes que passaram por grande perda de peso e desejam avaliar a possibilidade de correção do excesso de pele, a recomendação é procurar um cirurgião plástico habilitado, discutir expectativas de forma transparente e construir um plano individualizado. Segurança, previsibilidade e naturalidade devem sempre ser os pilares da decisão, argumenta Pedro Westphalen.
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◾️ Fonte: Lourenço Marchesan | Camejo Comunicação
⌨️ Edição: Dario Carvalho | Rádio Charrua
📸 Imagem: Pedro Westphalen | Arquivo Pessoal