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É possível que você esteja lendo este texto enquanto está indo para o trabalho. Talvez você esteja dirigindo, tomando um banho de forma rápida para evitar o atraso em um compromisso, realizando uma tarefa em casa ou, simplesmente, tentando achar alguns momentos de paz em meio ao dia corrido.
Eu gostaria de começar com um questionamento: Quando foi a última vez em que você pausou, sem sentir culpa ou sem pensar nas atividades que virão depois?
Não me refiro a aquele descanso quando você se deita e continua pensando nas obrigações de amanhã. Falo de um descanso genuíno. Porque, atualmente, a ideia de estar ocupado tornou-se quase um símbolo de valor pessoal.
Quando alguém nos pergunta "como vai?", frequentemente a resposta é acompanhada de uma lista de atividades:
"Estou trabalhando demais."
"Tenho muitas coisas para resolver."
"Estou sem tempo."
"Esta semana está muito corrida."
Ou às vezes talvez para mascarar algo aquele clássico “bem”.
Rodeado de um sentimento de esgotamento ou desgosto cotidiano.
Curiosamente, afirmar que estamos cansados parece mais aceitável do que confessar que estamos passando por momentos difíceis. É como se isso fosse uma forma de "credibilidade".
Na área da psicologia, entendemos que o sofrimento emocional nem sempre é demonstrado de maneira clara. Às vezes, ele se manifesta nesse modo automático de agir: a pessoa segue trabalhando, estudando, mantendo a casa em ordem, respondendo mensagens, cumprindo obrigações... Mas, internamente, está exausta.
Há uma diferença crucial entre estar cansado e viver em um estado de desgaste constante.
O problema é que aprendemos a valorizar a capacidade de suportar.
Observamos muito em redes sociais e no dia a dia palavras como:
"Eu consigo."
"Eu aguento."
"Eu sempre fui capaz."
"Tem pessoas enfrentando situações piores."
Entretanto, suportar tudo não significa necessariamente que estamos bem. Às vezes, isso apenas demonstra que aprendemos a continuar funcionando, mesmo quando algo dentro de nós clama por atenção.
Talvez uma das questões mais relevantes que podemos nós fazer não seja somente:
"Até quando conseguirei suportar?"
Mas sim:
"Por que eu acho que preciso suportar tanto?"
Porque o descanso não deveria ser visto como uma recompensa por ter sido produtivo? E solicitar ajuda não deveria ser interpretado como uma admissão de fracasso.
Ser forte não deveria servir apenas para os momentos onde somos exigidos? E porque no fim da história acabamos sendo ou tentando ser forte integralmente 24 horas por dia ?
Seria por um mundo que exige desempenho máximo em todas as atividades cotidianas e exercícios tanto no trabalho quanto na gestão de nós mesmo e nos relacionamentos interpessoais ?
Nós somos seres humanos, não máquinas eficientes. Talvez cuidar da saúde mental também envolve perceber a hora em que deixamos de viver para simplesmente funcionar.
Eu sou Felipe Bortolotto, psicólogo, e esta foi a nossa primeira conversa.
E deixo uma pergunta para que você reflita hoje:
Se você não precisasse provar nada a ninguém, como você usaria seu tempo de forma diferente?
Até a semana que vem, desejo uma boa semana a todos!
A opinião expressa neste artigo é de inteira responsabilidade da autora e não representa, necessariamente, a opinião da Rádio Charrua.
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◾️Texto e foto: Felipe Bortolotto | Psicólogo | Pós- graduado em neuropsicologia | Capacitação em avaliação psicológica | Capacitação em nivelamento de escrita
⌨️ Edição de título: Dario Carvalho | Rádio Charrua