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Na semana passada abordei um tema que parece muito comum na nossa rotina: o cansaço.
Foi abordado sobre aquela sensação de estar sempre ocupado, sempre tendo alguma coisa para resolver e, principalmente, sobre como acabamos confundindo produtividade com estar bem.
Mas existe uma pergunta que vem depois de tudo isso.
E quando você percebe que não está apenas cansado?
Quando aquilo que você sente começa a ultrapassar o limite de um dia difícil?
Talvez você já tenha passado por isso.
Você acorda e já está preocupado.
Vai trabalhar sem conseguir se concentrar.
Chega em casa sem energia para conversar com ninguém.
Começa a dormir mal por causa dos pensamentos que não silenciam.
Perde a vontade de fazer coisas que antes gostava.
Fica mais irritado ou chora com mais facilidade.
Sente o coração acelerar, a cabeça não para, parece uma preocupação que nunca termina.
E, mesmo percebendo tudo isso, você continua dizendo:
“É só uma fase, depois melhora”
“Eu preciso ser forte.”
“Eu não tenho motivo para estar assim.”
Mas existe uma pergunta importante a se fazer:
Quanto tempo você pretende esperar para procurar ajuda?
Porque uma das coisas que mais precisamos aprender sobre saúde mental é que não é necessário esperar o sofrimento ficar insuportável para procurar um profissional.
Você não deve e não precisa ter vergonha ou receio de pedir esta ajuda.
Você não precisa estar em uma crise para marcar uma consulta.
Você não precisa ter um diagnóstico para conversar com um psicólogo.
E você não precisa saber explicar exatamente o que está acontecendo ou o que está sentido.
Às vezes, a primeira frase pode ser simplesmente:
“Não sei o que sinto, só não me sinto bem.”
Isso já é suficiente para começar uma conversa.
Talvez você esteja pensando:
“Mas como eu vou saber se é realmente hora de pedir ajuda?”
Observe o que está acontecendo com a sua vida.
Se a ansiedade está atrapalhando seu dia, seu sono, seu trabalho, seus relacionamentos, seus hobbies, seu humor, isso merece atenção.
Se uma tristeza ou desânimo permanece por semanas e você começa a perder o interesse pelas coisas que antes faziam sentido para você, isso merece atenção.
Se você está se isolando, deixando de fazer coisas básicas, como ligar para os amigos/família, tomar banho, se alimentar; Vivendo constantemente estressado, irritado ou sentindo que está apenas “existindo” e seguindo o fluxo, isso merece atenção.
E existe um sinal que precisa ser levado ainda mais a sério:
quando aparecem pensamentos como “não aguento mais”, “queria dormir e não acordar mais”, “queria desaparecer”, “seria melhor não estar aqui”, “não existe saída para mim”, “tenho vontade de desistir de tudo”.
Nessas situações, não é hora de esperar passar sozinho.
É hora de procurar ajuda e, principalmente, não permanecer sozinho com esses pensamentos.
Hoje em dia, muitas vezes, na clínica e, principalmente, na sociedade, vemos um tabu ou um preconceito que antecede a ideia de ir ao psicólogo, por diversos motivos, como vergonha, timidez ao ser exposto, receio de demonstrar que está precisando ter uma conversa ou até mesmo de apenas revelar a alguém que “precisa” ir ao psicólogo.
E para essas pessoas primeiramente gostaria de dizer que entendo todos vocês, porém segundamente que a não, não é só você que precisa ir ao psicólogo, todos precisamos, seja em momentos de desespero, momentos de tristeza, autoconhecimento ou a até mesmo apenas querendo contar algo de si mesmo para alguém, e finalizando convido a todos aqueles nunca fizeram uma visita ao psicólogo e tem a nem que seja a mínima curiosidade de como funciona uma consulta ou até mesmo está precisando falar um pouco sobre si mesmo marcarem uma consulta neste mês de setembro.
Sou Felipe Bortolotto Psicólogo clínico e vejo você novamente na semana que vem.
A opinião expressa neste artigo é de inteira responsabilidade da autora e não representa, necessariamente, a opinião da Rádio Charrua.
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▪️Texto e foto: Felipe Bortolotto | Psicólogo | Pós- graduado em neuropsicologia | Capacitação em avaliação psicológica | Capacitação em nivelamento de escrita
▪️Edição de título: Dario Carvalho | Rádio Charrua