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Bom dia pessoal, hoje vamos falar um pouco de opinião, por que muitas vezes a opinião do outro incomoda tanto ou porque muitas vezes as pessoas se incomodam com a nossa opinião ?
Existe algo curioso no ser humano: gostamos muito da liberdade de pensar, e falar o que queremos, porém nem sempre sabemos lidar com a liberdade que o outro também tem de pensar e falar algo diferente.
Vivemos em uma época em que todos têm uma opinião sobre tudo. Política, religião, relacionamentos, educação, trabalho, comportamento… E muitas vezes uma simples divergência pode transformar uma conversa em uma disputa. Mais do que nunca com o cenário eleitoral vemos muitas ofensas, embates, conflitos por uma simples opinião alheia a sua.
Como psicólogo, isso me vem chamando muita atenção nos últimos dias. Muitas vezes, por trás de uma discussão, existe algo mais profundo: a dificuldade de lidar com aquilo que difere e ameaça a nossa maneira de enxergar o mundo.
Quando alguém pensa diferente, nem sempre sentimos que estamos diante de uma simples opinião. Podemos sentir que nossas crenças, escolhas ou até nossa identidade estão sendo questionadas. E, nesse momento, deixamos de ouvir para começar a nos defender.
Passamos a procurar argumentos para provar que estamos certos, enquanto o outro faz o mesmo. A conversa deixa de ser um encontro e se transforma em uma competição. Ou até mesmo uma disputa, uma disputa
Uma disputa de quem fala mais alto.
De quem fala mais forte
Ou até mesmo de quem de alguma maneira consegue impor sua opinião, mesmo muitas vezes não de maneira coerente ou realmente com “embate de ideias”
Carl Rogers, um dos grandes nomes da Psicologia Humanista, escreveu:
“Quando alguém realmente ouve você sem julgá-lo, sem tentar assumir a responsabilidade por você, isso faz você se sentir tremendamente bem.”
Talvez esteja aí uma das maiores dificuldades dos nossos relacionamentos atuais: aprender a ouvir sem transformar imediatamente aquilo que ouvimos em uma ameaça.
Aceitar que alguém pense diferente não significa concordar.
Eu posso discordar profundamente de uma pessoa e, ainda assim, respeitar seu direito de pensar daquela maneira. Posso questionar seus argumentos, apresentar outra perspectiva e continuar acreditando no que penso.
Saber respeitar a opinião do próximo, mesmo sendo divergente a nossa não acaba mudando a nossa opinião.
Precisamos parar de confundir respeito com concordância.
Respeitar não significa dizer “você está certo”. Significa conseguir dizer “eu penso diferente de você” sem transformar o outro em inimigo.
Talvez o verdadeiro exercício da liberdade não seja apenas ter coragem para dizer aquilo em que acreditamos, mas também ter maturidade para aceitar que o outro não pense como nós.
O mundo não precisa ser um lugar onde todos concordam. Precisa ser um lugar onde pessoas diferentes ainda consigam se ouvir.
Porque uma opinião diferente não é uma agressão. É apenas o lembrete de que existe um mundo para além daquilo que enxergamos.
No fim, podemos até vencer uma discussão, mas isso não significa que tenhamos construído alguma coisa.
Talvez amadurecer seja exatamente isso: não precisar que o outro pense como nós para conseguirmos respeitá-lo. Afinal, uma sociedade verdadeiramente livre não é aquela em que todos dizem a mesma coisa, mas aquela em que pessoas que pensam diferente ainda conseguem sentar à mesma mesa.
Me chamo Felipe Bortolotto Psicólogo e vejo você semana que vem na nossa próxima conversa.
A opinião expressa neste artigo é de inteira responsabilidade da autora e não representa, necessariamente, a opinião da Rádio Charrua.
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◾️Texto e foto: Felipe Bortolotto | Psicólogo | Pós- graduado em neuropsicologia | Capacitação em avaliação psicológica | Capacitação em nivelamento de escrita
⌨️ Edição de título: Dario Carvalho | Rádio Charrua