O músico e tradicionalista Bagre Fagundes morreu neste domingo (2), aos 86 anos. Representante da cultura do Rio Grande do Sul, ele é um dos autores do "Canto Alegretense", composição emblemática do estado.
A morte aconteceu ontem (2), o velório foi nesta segunda-feira (3), em Porto Alegre. Uma cerimônia de cremação, restrita à família, está prevista para esta tarde. Depois, as cinzas devem ser levadas a Alegrete, na Fronteira Oeste.
Euclides Fagundes Filho nasceu em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, em 3 de outubro de 1939. Filho de Euclides e Florentina Fagundes, a Mocita, ele cresceu na cidade de Alegrete ao lado de seis irmãos e cinco irmãs. O apelido "Bagre" surgiu na adolescência e foi adotado por toda a vida.
Bagre era casado há 64 anos com Marlene Fagundes, com quem vivia em Porto Alegre. Dessa união, nasceram os filhos Neto, Ernesto, Luciana e Paulinho.
Ao longo da carreira, Bagre construiu uma trajetória diversificada. Além de músico, foi advogado formado pela Universidade de Cruz Alta, vereador em Alegrete, jogador e até árbitro de futebol. Na política, foi filiado ao PTB na época de Leonel Brizola e, posteriormente, ao PDT.
O tradicionalista também presidiu o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF). Nos anos 2000, assinou a coluna "Gauchesco & Brasileiro" no jornal Diário Gaúcho, onde escrevia sobre a cultura do estado.
A música foi a principal vocação do artista. Ao lado do irmão Nico Fagundes, compôs "Canto Alegretense", canção que projetou seu nome para além das fronteiras gaúchas.
Bagre mantinha uma rotina ativa nos palcos. Ele se apresentava com os filhos Ernesto, Neto e Paulinho, com quem formava o grupo Os Fagundes.
O reconhecimento pelo trabalho rendeu homenagens em vida. Em 2013, a escola de samba Embaixadores do Ritmo levou ao Carnaval de Porto Alegre o enredo "Não Me Perguntes Onde Fica o Alegrete", inspirado na obra da família. Bagre gravou a versão oficial do samba-enredo com sua gaita-ponto e a família participou do desfile no Porto Seco.
Conhecido pelo bom humor, o artista costumava falar sobre a própria trajetória com ironia. Ao completar 80 anos, afirmou que ainda não havia alcançado seu objetivo: "o de não fazer nada". Na mesma época, em 2019, recebeu uma homenagem da RBS TV no programa Galpão Crioulo, quando foi agraciado com o Troféu Origens.
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◾️ Texto: Duda Romagna | g1 RS
⌨️ Edição: Dario Carvalho | Rádio Charrua
📸 Imagem: Duda Fortes | Agência RBS