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CAUL
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Engenheiro agrônomo, médico-veterinário, criador e inspetor técnico da Arco, uruguaianense terá a missão de avaliar uma das principais raças produtoras de lã na maior exposição agropecuária do Estado
A experiência de um uruguaianense estará em destaque na 49ª Expointer. O engenheiro agrônomo e médico-veterinário Frederico Gonçalves Rott será um dos jurados do Merino Australiano, raça reconhecida pela produção de lã fina e de alta qualidade, na principal exposição agropecuária do Rio Grande do Sul.
À frente da Cabanha Nova Palma, criatório das raças Ideal e Hampshire Down, Frederico também preside a Associação Brasileira de Criadores de Ideal e atua como inspetor técnico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco). Nessa função, trabalha com diferentes raças e realiza avaliações técnicas dos animais, para seleção dos rebanhos.
A participação na Expointer terá um significado especial. Será a primeira vez que Frederico atuará como jurado em uma exposição oficial, justamente em um dos eventos mais importantes do calendário da ovinocultura brasileira.
“É uma honra e uma satisfação ser jurado. É a primeira vez que julgo uma exposição oficial e já em uma Expointer, que sabemos que é o palco onde a maioria das raças está em evidência”, destaca.
Segundo Frederico, a Expointer funciona como uma referência para outras exposições e tem papel de destaque especialmente na ovinocultura de lã. Ele considera a feira o principal palco brasileiro para os ovinos lanados, considerando a concentração do rebanho no Rio Grande do Sul e também no sul de Santa Catarina.
Na pista, Frederico dividirá a responsabilidade pelo julgamento com o zootecnista Leonardo Santos Farion, também inspetor técnico da Arco.
Lã de qualidade e boa carcaça
Para Frederico, o julgamento do Merino Australiano exige atenção especial às características que definem a principal vocação da raça: a produção de lã.
“O Merino Australiano é a raça que produz a lã mais fina e de melhor qualidade, com maior valorização no mercado”, explica.
Entre os principais critérios que deverão ser observados estão a qualidade da lã e a constituição do velo, mas o jurado destaca que a avaliação não pode deixar de lado a aptidão para produção de carne.
Segundo ele, o objetivo é encontrar animais equilibrados, com boa lã associada à característica de uma carcaça de qualidade.
“Não adianta encontrar um animal com muito bom velo, mas com uma conformação débil, que peca na sua constituição. Temos que buscar essa uniformidade, mas sempre com um peso maior para as características relacionadas à lã, por se tratar de uma raça produtora de lã”, afirma.
Mercado da lã volta a trazer otimismo aos criadores
Além da participação como jurado, Frederico acompanha de perto o atual momento da ovinocultura como criador e profissional do setor. E a avaliação é de otimismo.
Depois de um período de forte crise entre 2021 e 2022, quando o mercado enfrentou dificuldades tanto para a lã quanto para a carne ovina, o cenário começou a mudar.
De acordo com Frederico, os preços da carne ovina vêm apresentando um bom comportamento há cerca de um ano. Mais recentemente, a valorização também chegou à lã, impulsionada por fatores do mercado internacional.
Ele cita a redução na quantidade e na qualidade da produção de lã em importantes países produtores, como Austrália, como um dos fatores que têm contribuído para aumentar a procura por lã de outras regiões.
Uruguai é principal destino da lã fina gaúcha
Mesmo com a falta de uma cadeia industrial completa no Rio Grande do Sul, Frederico destaca que existe um mercado interessado na produção gaúcha: o Uruguai.
Segundo ele, o país vizinho absorve atualmente grande parte da produção de lãs finas do Estado, que posteriormente são comercializadas no mercado internacional.
“O destino maior da nossa lã fina é o Uruguai”, ressalta.
O cenário, segundo o criador, já começa a provocar reflexos dentro das propriedades. A valorização do produto aumenta o interesse dos produtores pela seleção dos animais e pela retomada da atividade.
Frederico também aponta uma demanda elevada por ventres de diferentes raças, tanto de carne quanto de lã e de dupla aptidão. Para ele, o mercado vive um momento em que a procura supera a oferta.
“A gente começa a ver que vale a pena destinar as energias para esse negócio e tocar ele para frente”, afirma.
Com a retomada dos preços e o aumento da procura, a expectativa é de fortalecimento da ovinocultura. Para Frederico, porém, a entrada de novos criadores tende a ocorrer principalmente em pequenas propriedades e em menor escala, o que deve manter a oferta limitada no curto e médio prazo.
É nesse cenário de retomada da valorização da lã que Frederico Gonçalves Rott, levando a experiência de criador, médico-veterinário, engenheiro agrônomo e inspetor técnico, chega à pista da 49ª Expointer para participar pela primeira vez como jurado de uma exposição oficial — e representar Uruguaiana em um dos momentos mais importantes da ovinocultura nacional.
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◾️Texto: Dario Carvalho | Rádio Charrua
📸 Imagem: Frederico Rott | Arquivo Pessoal