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CAUL
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A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) vai medir e compensar as emissões de gases de efeito estufa geradas por seus eventos e pelos pavilhões sob sua responsabilidade durante a Expointer 2026.
A iniciativa, acertada nesta semana com a Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR), será uma ação própria da entidade dentro da primeira edição carbono neutro da história da feira, que ocorre de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
O levantamento abrangerá os pavilhões de bovinos de corte, bovinos de leite, equinos e caprinos, além das atividades promovidas pela Federação durante os nove dias da mostra. Em visita ao Jornal do Comércio, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, explicou que serão considerados dados como público presente, alimentação e bebidas consumidas e outros componentes relacionados à realização dos eventos. Depois de calculadas as emissões, a entidade fará a compensação por meio de créditos de carbono da CRVR.
Segundo o dirigente, a Federação utilizará dados e parâmetros do Sebrae no levantamento. A experiência deverá servir também para outras atividades promovidas pela entidade. Para Lopes, mais do que neutralizar as emissões desta edição da Expointer, a iniciativa pretende incorporar a mensuração da pegada de carbono à organização dos eventos. “Cria a cultura”, resume.
A ação da Farsul ocorre paralelamente ao projeto do governo do Estado, que fará a neutralização do evento como um todo. A CRVR também será responsável pela compensação e foi selecionada por meio de edital público da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema).
O contrato foi assinado na segunda-feira (17), durante o lançamento oficial da Expointer. A decisão havia sido anunciada na semana passada pelo governador Eduardo Leite, durante a inauguração da planta de biometano do Grupo Solví no complexo da CRVR, em São Leopoldo.
Para chegar à neutralização, será elaborado um inventário das principais fontes de emissão de gases de efeito estufa da Expointer. A contabilização levará em conta as emissões relacionadas ao consumo de energia e água, à geração de resíduos e ao transporte de animais. Os dados serão convertidos em toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO?e), unidade que permite expressar diferentes gases de efeito estufa em uma mesma medida.
O volume apurado será então compensado com créditos de carbono certificados. O processo utilizará como referência o GHG Protocol, metodologia internacional empregada na elaboração de inventários de emissões. Na prática, a classificação como carbono neutro não significa que a feira deixará de emitir gases de efeito estufa, mas que as principais emissões contabilizadas serão mensuradas e compensadas.
A CRVR obtém créditos a partir de sua atividade de tratamento de resíduos. No aterro sanitário de São Leopoldo, a decomposição da matéria orgânica gera biogás, composto principalmente por metano e dióxido de carbono. O aproveitamento desse gás evita a liberação direta de metano na atmosfera e permite a geração de créditos utilizados para compensar emissões realizadas em outras atividades.
A companhia já havia participado de iniciativa semelhante na Fenasoja, em Santa Rosa. No caso da Expointer, a experiência será a primeira do governo do Estado com neutralização das emissões de um evento por meio da chamada pública da Sema. A intenção é que o modelo possa ser utilizado posteriormente em outras atividades promovidas pelo Executivo.
Para Lopes, o avanço dessa agenda dentro da principal feira agropecuária do Estado também pode ajudar o setor a transformar atributos ambientais em valor econômico. Na avaliação de Lopes, a experiência desta edição pode servir de referência para ampliar a mensuração e a compensação de emissões nos próximos anos e em outros eventos promovidos pela entidade. “São iniciativas que vão alimentando para os outros anos”, completa.
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◾️Texto: Claudio Medaglia | JC
⌨️ Edição: Dario Carvalho | Rádio Charrua
📸 Imagem: Gabrieli Silva | Especial | JC