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OPINIÃO | Juliana Tietböhl, coordenadora do Centro de Referência da Mulher e especialista em Direito da Mulher, alerta para o avanço do feminicídio no RS
 

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Por Juliana Tozzi Tietböhl

Advogada;

Doutoranda e Mestre Direito;

Coordenadora do  Centro de Referência Atendimento a Mulher;

Professora de Direito;

Especialista em Direito da Mulher.



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O Rio Grande do Sul iniciou o ano de 2026 de forma dolorosa, com o registro de 11 feminicídios somente no mês de janeiro. 


No RS, em 2025 foram 80 assassinatos de mulheres pelo simples fato de serem mulheres, contra 73 no ano anterior.


São mulheres que tiveram suas vidas interrompidas de maneira brutal, em sua maioria dentro de relações marcadas por controle, medo e violência. Cada número representa uma história, uma família destruída e, muitas vezes, crianças e adolescentes que ficam órfãos dessa violência extrema.


Diante dessa realidade, torna-se fundamental reforçar a articulação e o trabalho em rede entre os serviços públicos, órgãos de segurança, sistema de justiça, saúde, assistência social e sociedade civil. O enfrentamento à violência contra a mulher não pode ser isolado ou fragmentado. Somente uma atuação integrada, contínua e comprometida é capaz de prevenir mortes, proteger vítimas e romper ciclos históricos de violência de gênero.


Outro ponto essencial é a capacidade da mulher reconhecer os sinais da violência. A violência doméstica nem sempre começa com agressões físicas; muitas vezes surge de forma silenciosa, por meio de controle excessivo, ciúmes, humilhações, ameaças, isolamento social e dependência financeira. Reconhecer esses sinais precocemente é um passo fundamental para buscar ajuda antes que a violência se agrave.


A violência doméstica costuma se manifestar por meio dos três ciclos da violência: o primeiro é o da tensão, marcado por conflitos, agressões verbais e clima constante de medo; o segundo é o da explosão, quando ocorre a agressão física ou psicológica mais grave; e o terceiro é o da lua de mel, no qual o agressor pede perdão, promete mudar e demonstra afeto, levando muitas mulheres a permanecerem na relação. Com o tempo, esses ciclos tendem a se repetir e se intensificar.


Por isso, é fundamental reforçar a importância da denúncia. O pedido de medida protetiva ao Judiciário é outra opção para ampliar a segurança.Denunciar não é um ato de fraqueza, mas de coragem e proteção à própria vida. Buscar ajuda pode interromper o ciclo da violência, acionar a rede de proteção e salvar vidas. O silêncio, muitas vezes imposto pelo medo ou pela culpa, é um dos maiores aliados da violência.


Em Uruguaiana, o município conta com o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social (Rua Dr maia 3112), que está preparado para acolher todas as mulheres em situação de violência. O serviço oferece atendimento multidisciplinar, com psicóloga, assistente social e advogada, garantindo escuta qualificada, especializada, orientação, proteção e fortalecimento para que nenhuma mulher enfrente a violência sozinha.



*A opinião expressa neste artigo é de inteira responsabilidade do autor e/ou assessoria de imprensa.⁣

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◾️Fonte: Juliana Tozzi Tietböhl / Advogada

⌨️ Editado por Dario Carvalho / Rádio Charrua

📸 Imagem: Juliana Tozzi Tietböhl  / Arquivo Pessoal






Opinião | 29/01/2026 | 18:03
 
 
 
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