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O cooperativismo gaúcho ultrapassou, pela primeira vez, a marca de R$ 100 bilhões em faturamento. As 375 cooperativas nos diferentes ramos vinculadas ao Sistema Ocergs movimentaram R$ 103 bilhões em 2025, alta de 10% em relação ao ano anterior, volume equivalente a cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul – é um parâmetro, embora PIB e o faturamento sejam grandezas diferentes. Os dados integram o Expressão do Cooperativismo Gaúcho 2026, divulgado nesta quinta-feira, 2 de julho.
Além do faturamento recorde, o sistema registrou R$ 6,2 bilhões em sobras (+24%), R$ 248,9 bilhões em ativos (+14%) e R$ 45,8 bilhões em patrimônio líquido (+17%).
O número de cooperados chegou a 4,4 milhões, alta de 3%, enquanto os empregos diretos somaram 80 mil (+2%). As cooperativas estão presentes em 490 dos 497 municípios gaúchos.
O resultado consolida uma trajetória de crescimento sustentado. O faturamento passou de R$ 86,3 bilhões em 2023 para R$ 93,2 bilhões em 2024, até atingir o recorde de R$ 103 bilhões no ano passado (os números são nominais).
Ramo agropecuário é destaque e puxa a receita
O ramo agropecuário segue como principal força do cooperativismo gaúcho. As 94 cooperativas do segmento responderam por R$ 52,3 bilhões em faturamento, pouco mais de 50% da receita total do sistema, além de registrarem R$ 1,7 bilhão em sobras, alta de 38,9%, e manterem a liderança na geração de empregos, com 40,8 mil trabalhadores.
Embora tenha sido novamente impactado por perdas climáticas, o ramo cresceu 4,8% em 2025. Segundo o superintendente do Sistema Ocergs, Mario De Conto, isso foi possível porque as cooperativas atuam em toda a cadeia produtiva.
Enquanto as organizações com maior foco industrial avançaram cerca de 10%, aquelas mais dependentes da produção primária recuaram aproximadamente 4,5%, refletindo a quebra de safra. O resultado consolidado mostra que a industrialização, a agregação de valor, a inovação e a assistência técnica ajudaram a compensar parte dos efeitos do clima.
Na avaliação do presidente da Fecoagro/RS, Adriano Borghetti, o desempenho também demonstra a capacidade de adaptação das cooperativas. Ele atribuiu o menor crescimento do agro às sucessivas estiagens, ao aumento dos custos de produção e ao aperto da relação de troca, mas destacou que os investimentos em agroindústria e a intercooperação fortaleceram o setor.
Apesar de continuar respondendo por mais da metade do faturamento do cooperativismo, o agro perdeu participação relativa em razão da expansão mais acelerada de outros segmentos, especialmente o crédito, cujo faturamento cresceu 21% em 2025.
Para o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann, os resultados reforçam a necessidade de ampliar investimentos em industrialização, agregação de valor e infraestrutura para aumentar a resiliência das cooperativas diante das mudanças climáticas e manter a competitividade do agronegócio gaúcho.
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◾️Fonte: Claudio Medaglia | Jornal do Comércio
⌨️Edição: Dario Carvalho | Rádio Charrua
📸Imagem: CLAUDIO MEDAGLIA | ESPECIAL | JC