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PIB do RS fica estável no 1º trimestre de 2026
 

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O Rio Grande do Sul não teve variação no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses imediatamente anteriores, conforme dados do Departamento de Economia e Estatística do Estado (DEE-RS) divulgados no início de julho. O Brasil, por sua vez, teve um resultado positivo, crescendo 1,1% no mesmo período.

"O Brasil vinha, nos trimestres anteriores, apresentando dificuldades. Agora, ele cresceu na margem, 1,1%, que é um bom número. A indústria extrativa, com as exportações do minério de ferro e petróleo ajudaram muito nisso. E são setores que o Rio Grande do Sul não tem. Aqui, a agropecuária e o comércio tiveram quedas, enquanto nacionalmente esses segmentos tiveram desempenho positivo", avalia o pesquisador do DEE-RS, Martinho Lazzari.

No caso do Rio Grande do Sul, a agropecuária apresentou uma queda de 9,9% no período, uma perda considerável em comparação com o avanço de 2% do setor no nível nacional. Na análise interanual, comparando o primeiro trimestre de 2026 com os primeiros três meses de 2025, também houve uma retração na atividade primária gaúcha, de 1,9%, ante ao crescimento de 0,7% no Brasil.

O desempenho negativo do Estado no campo foi puxado pelo arroz, que recuou 9,3%, e o fumo, cuja queda foi de 2%. Ambas são culturas com peso relevante na agricultura do período. E, nesse contexto, as altas de outros cultivares, como a soja (34,6%), o milho (21,8%) e a uva (8,6%), não foram capazes de frear a queda do indicador geral da agropecuária.

"No caso do arroz, tem um impacto indireto dos preços. O preço caiu muito e o produtor plantou menos. E tivemos praticamente uma supersafra de arroz no ano passado. Já o fumo tem uma oscilação negativa, mas pequena, dentro da normalidade, sem nenhum fato relevante", explica Lazzari. No caso do cereal, o rendimento médio recuou 3,1% no primeiro trimestre de 2026 e a área plantada diminuiu em 6,4%.

Em matéria publicada pelo Jornal do Comércio em abril, quando o arroz já havia sido colhido em 68,8% da área semeada, o analista da Safras & Mercados responsável por estudar o produto, Evandro Silva, apontou as divergências nos valores à época. Conforme o especialista, enquanto o custo de produção do cereal estava estimado entre R$ 75 e R$ 90 por saca, as cotações giravam entre R$ 60 e R$ 62 na Fronteira Oeste do Estado e entre R$ 65 e R$ 70 no litoral gaúcho, para produto de melhor qualidade.

Enquanto isso, o comércio sofreu uma retração esperada, de 0,2%, em relação ao trimestre anterior. Afinal, como lembra Lazzari, o setor cresceu imediatamente após a enchente de 2024, quando houve injeção de recursos na economia por políticas de transferência de renda aos afetados pela calamidade, que precisaram repor seus bens. As vendas seguiram altas por alguns trimestres até começarem a recuar. No total, os serviços saltaram 0,2%.

"É normal que, passando a transferência de renda e a própria necessidade das pessoas de comprarem os produtos perdidos, o comércio apresentasse uma acomodação. E é o que vem acontecendo. Mesmo assim, o nível de vendas do primeiro trimestre é maior do que o período antes das enchentes", avalia o pesquisador do DEE-RS.

No caso da indústria, o crescimento foi de 0,9% no Rio Grande do Sul em relação ao trimestre anterior, mesmo com quedas nos setores extrativo mineral (-1%) e na indústria de transformação (-0,3%). O desempenho foi perto do brasileiro, onde a atividade avançou 1%. No comparativo interanual, o RS avançou 1,3% e o País 1,6%.

O PIB gaúcho teve uma variação também próxima à estagnação ao avaliar o comparativo interanual e no acumulado dos últimos 12 meses. Em ambos os casos, houve um avanço, de 0,4%. No caso do Brasil, o crescimento foi de 1,8% no primeiro caso e de 2% no segundo.


Expectativa de crescimento no 2º trimestre de 2026

Como a economia gaúcha é dependente da atividade primária, que gira a cadeia do agronegócio, é possível esperar que, quando o DEE-RS divulgue os resultados do PIB do segundo trimestre de 2026, o desempenho seja positivo. Isso, porque a principal cultivar do período é a soja, que tem forte peso na economia gaúcha, e que teve uma boa safra. A isso, soma-se o fato de que, em 2025, a safra da leguminosa teve uma quebra, que caiu 25,2% no segundo trimestre daquele ano.

Já no segundo semestre de 2026, o clima poderá impactar negativamente. Afinal, há uma expectativa de Super El Niño, fenômeno que costuma causar chuvas acima da média na Região Sul do País e que deverá ser intenso especialmente na primavera, que inicia em setembro. Os impactos, entretanto, dependem da combinação de diversos fatores atmosféricos.

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◾️ Fonte: Ana Stobbe | Jornal do Comércio

⌨️ Edição: Dario Carvalho | Rádio Charrua⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣⁣

📸 Imagem: TÂNIA MEINERZ | Jornal do Comércio




Agronegócio | 14/07/2026 | 11:40
 
 
 
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